Meu marido quer separar, o que devo fazer?

Mulher brasileira preocupada sentada sozinha em um sofá.
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O número de divórcios no Brasil tem aumentado consideravelmente nas últimas décadas, especialmente após a pandemia de Covid-19. De acordo com dados do Colégio Notarial do Brasil, o país registrou mais de 80 mil divórcios em 2022, o maior número desde o início da série histórica. Especialistas apontam que o isolamento, o estresse e as mudanças na rotina contribuíram para revelar conflitos antigos e expor fragilidades nos relacionamentos.

Mesmo diante desse cenário, especialistas garantem que, em muitos casos, ainda é possível salvar a relação antes que o fim se torne definitivo. Reavaliar comportamentos, reconstruir a comunicação e buscar orientação profissional ou espiritual são caminhos que podem ajudar casais a superar crises.

Segundo o Pai de Santo Roberson Dariel, fundador do Instituto Unieb, em Araraquara (SP), onde há anos orienta casais em dificuldades, é possível recuperar o amor quando há vontade genuína de mudar. “Nenhuma separação acontece da noite para o dia. O problema cresce em silêncio. Quando o casal decide enfrentar o que está errado juntos, a chance de reconstruir é real.”

Roteiro de 90 dias para retomar o controle

Para ajudar casais em crise, Roberson Dariel propõe um roteiro de 90 dias com práticas simples e consistentes para reconstruir o vínculo e restaurar o equilíbrio emocional. O método, segundo ele, foi desenvolvido com base em anos de experiência em atendimentos no Instituto Unieb, combinando observação comportamental, escuta emocional e autoconhecimento.

A proposta é dividir esse período em três etapas: avaliação, reconexão e renovação. Cada fase tem orientações específicas que ajudam o casal a entender as causas dos conflitos e aplicar mudanças reais no dia a dia. “Quando a pessoa entende que o amor é uma escolha diária, ela aprende a cuidar da relação como se cuida de algo vivo: com atenção, paciência e afeto”, explica Dariel.

Semana 1-2: avaliação

Nos primeiros quinze dias do roteiro, o foco é entender o que levou o relacionamento à beira da separação. É o momento de observar atitudes, comportamentos e situações que vêm se repetindo ao longo do tempo. Segundo Roberson Dariel, esse é o período em que o casal precisa olhar com sinceridade para as próprias falhas e reconhecer o que pode ser transformado.

“Não existe mudança sem consciência. Antes de culpar o outro, é preciso enxergar o que você também alimentou dentro da relação. A cura começa quando há coragem para admitir erros”, orienta o Pai de Santo. Ele recomenda que, durante essas duas primeiras semanas, os casais evitem discussões e priorizem o silêncio reflexivo, registrando emoções e pensamentos para que o diálogo, quando acontecer, seja mais maduro e construtivo.

Semana 3-4: conversa

Após o período inicial de avaliação e silêncio estratégico, chega o momento de conversar com maturidade. Nas semanas 3 e 4, o casal deve iniciar diálogos francos, organizados e livres de acusações. É a fase de transformar as anotações e reflexões do início do roteiro em conversas reais, respeitando o tempo e o limite emocional de cada um. Roberson Dariel explica que essa etapa exige coragem e vulnerabilidade.

Segundo ele, é importante que ambos falem sobre sentimentos, não sobre culpas. “A conversa verdadeira não nasce do ataque, mas da exposição sincera do que dói. Casais que aprendem a falar do coração, e não da raiva, têm mais chances de superar a crise. Os depoimentos que recebemos no Instituto mostram isso todos os dias.”

Semana 5-8: fortalecimento

Com o diálogo restabelecido, as semanas 5 a 8 são dedicadas ao fortalecimento do vínculo. Essa etapa consiste em criar novos hábitos, reorganizar a rotina do casal e resgatar práticas que aproximam, como pequenas gentilezas, demonstrações de afeto e conversas leves. Aqui, o objetivo é reconstruir a relação de forma gradual, substituindo comportamentos negativos por atitudes que reforçam segurança e parceria.

Roberson Dariel explica que esse período é transformador. “O amor não se sustenta sozinho. Ele precisa de cuidado diário. Quando o casal volta a se tratar com carinho e respeito, a energia muda. Pequenas ações feitas com intenção sincera têm o poder de reerguer o que parecia perdido.”

Semana 9-12: plano de contingência

Nas semanas finais, o casal desenvolve um plano de contingência, ou seja, uma estratégia consciente para lidar com conflitos futuros. A ideia é evitar que os mesmos problemas que quase levaram ao fim voltem a se repetir. Aqui entram acordos, combinados e métodos de comunicação que funcionam para o casal, estabelecidos de forma clara e respeitosa.

Para Roberson Dariel, essa é a base da durabilidade amorosa. “Relacionamento saudável não é aquele que nunca tem problemas, mas o que aprende a preveni-los. Quando o casal cria planos para lidar com brigas e fragilidades, ele constrói maturidade emocional e garante que a história siga por um caminho mais leve.”

Superar a crise é possível quando há dedicação de ambos e disposição para olhar com sinceridade para os erros e necessidades emocionais do relacionamento. O roteiro de 90 dias proposto por Roberson Dariel oferece estrutura, clareza e direção, três elementos fundamentais para transformar um relacionamento à beira da separação em uma nova oportunidade de união.

A jornada exige paciência, mudança de hábitos e, acima de tudo, compromisso com o amor. Quando o casal entende que a separação não precisa ser o único caminho, abre-se espaço para o diálogo, a cura e a reconstrução. Como afirma Roberson Dariel, “o amor só desiste quando as pessoas desistem. Enquanto houver vontade de recomeçar, existe futuro para o casal”.

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